Universitárias da Baixada vencem concursos do Conselho Regional de Psicologia

Alunas da Uniabeu e moradoras em Belford Roxo, São João de Meriti e Nova Iguaçu vencem barreiras e se destacam no cenário científico

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Elas não são Florzinha, Lindinha e Docinho e não foram criadas pelo professor Utônio e também não tiveram derramado sobre a cabeça o Elemento X acidentalmente, ganhando super poderes, e muito menos levam a vida entre uma brincadeira e outra.

Mas, Alessandra Almeida, Vera Miranda e Danúbiah Mendes ganham o título carinhoso de As Meninas Superpoderossas do curso de Psicologia do Centro Universitário Uniabeu, por investirem em dedicação e empenho ao estudo. As três participaram e tiveram seus artigos científicos premiados nas edições 2016, 2015 e 2014, na categoria estudante, dos concursos Maria Beatriz Sá leitão e Margarete de Paiva Simões Ferreira, promovidos pelo Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP).

As meninas não são fracas, não. Com o firme propósito de mostrar o valor dos estudantes e da produção da pesquisa científica na Baixada Fluminense, as três se debruçaram sobre livros, vivenciaram experiências na prática e passaram horas fazendo análises e escrevendo suas pesquisas. O resultado de tanto empenho significa o orgulho nos olhos do coordenador do curso de Psicologia da Uniabeu, Edimilson Lima. Para ele, receber três vezes, consecutivamente, prêmios do CRP significa a confirmação de que o curso de psicologia da Uniabeu investe na formação acadêmica do aluno.

Nosso ensino está focado também na inclusão do aluno em atividades de iniciação científica com reflexão crítica sobre a prática do profissional de psicologia no âmbito científico, ético, ideológico, político e clínico”, explica. Ele destaca a capacidade, a dedicação e a determinação das três estudantes. “O interesse pela pesquisa das nossas alunas é estimulante para nós professores. Todas estão de parabéns”, registra o coordenador. Lima frisa a importância do concurso em nível acadêmico e profissional. “É um incentivo à pesquisa acadêmica, estímulo à publicação de artigos através da discussão sobre as práticas da psicologia. Além de promover os cursos de psicologia da cidade do Rio de Janeiro”, avalia.

Mirando a carreira acadêmica e flertando com pesquisa em Saúde Mental, a estudante do 7º período de psicologia da Uniabeu Danúbiah Mendes, que mora em São João de Meriti, primeira colocada da edição 2016 do concurso Margarete de Paiva Simões Ferreira, observou no certame a oportunidade de dar visibilidade ao projeto de pesquisa que havia iniciado, em 2015, como voluntária no Programa de Iniciação Científica (PIC/Uniabeu). Ela concorreu com a pesquisa “Reforma Psiquiátrica Brasileira e Retrocessos? Uma revisão bibliográfica qualitativa da atual conjuntura da Saúde Mental no Brasil”.

Estagiando na Fiocruz, Mendes conta que o objetivo do seu trabalho é apresentar, através de pesquisa documental qualitativa, uma revisão bibliográfica da atual conjuntura da Saúde Mental no Brasil. “A ideia é provocar uma reflexão sobre a privatização da saúde, a internação compulsória e as comunidades terapêuticas como impasses e retrocessos para a Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB)”, comenta. A aluna da Uniabeu explica que os resultados contextualizam avanços e apontam como impasses a privatização da saúde para a implementação e fortalecimento dos dispositivos da RPB. “Os retrocessos são práticas que retomam ao modelo manicomial presentes na internação compulsória e nas comunidades terapêuticas” alerta.

universitarias-bf1Mendes avalia como positiva a proposta de ensino do curso de psicologia Uniabeu. Na opinião dela, a dedicação dos professores e da coordenação é um diferencial. A vencedora que tem olhar carinhoso afirma que o prêmio a fez acreditar que é possível uma estudante de instituição privada e da Baixada Fluminense ser reconhecida pelo seu trabalho acadêmico. “É gratificante perceber que, ao mesmo tempo em que contribui para a sociedade acadêmica, também traz visibilidade para a sociedade civil da Baixada Fluminense através de pesquisas científicas que são feitas pelos próprios alunos”, comenta com emoção. De acordo com a premiada, a vitória dela pode atuar como elemento para incentivar novos alunos a aproveitar a oportunidade de divulgar sua pesquisa, seu trabalho acadêmico. “Vejo como um legado que precisamos deixar para a nossa sociedade”, finaliza com fé e esperança.

Formada em 2015, Alessandra Almeida conquistou o segundo lugar na edição de 2014. Motivada com a possibilidade de ter um artigo publicado, Almeida concorreu com o trabalho “A loucura infantil e a desinstitucionalização: contribuição da Reforma Psiquiátrica para a prática do psicólogo no CAPSI (Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil)”. Segundo ela, a pesquisa começou a ser construída no período de estágio, no programa acadêmico bolsista da prefeitura do Rio de Janeiro. Para a conclusão, foram necessários nove meses.

Aliando sensibilidade e dedicação, a flamenguista que curte cinema, teatro e os gols do Zico apresentou no trabalho a importância da Reforma Psiquiátrica no Brasil num contexto específico de transformações. “O objetivo é entender a constituição de um novo campo de intervenção em saúde mental que dá base às novas formas de atenção e cuidado, norteando as práticas do psicólogo no CAPSI”, conta a psicóloga de cabelos castanhos e longos, que mora em Nova Iguaçu.

Cursando pós-graduação na Fiocruz, buscando a especialização em Ciência, Arte e Cultura na Saúde, a psicóloga Almeida elogia a formação na Uniabeu. “É uma instituição de ensino de qualidade, com professores de excelência implicados com a formação do aluno. A Uniabeu investe na formação aluno”, afirma. Segundo ela, durante a graduação participou de iniciação científica, foi monitora de disciplina, apresentou trabalhos científicos em jornadas, congressos em outros estados e contou com apoio financeiro para esses objetivos.

A superpoderosa morena, Vera Miranda, formada e pós-graduada em Recursos Humanos e aluna do 10º período de psicologia da Uniabeu, alcançou a segunda colocação do I Prêmio Maria Beatriz Sá Leitão, criado em 2015 pelo CRP-RJ em memória de Maria Beatriz Sá Leitão, psicóloga e militante reconhecida pela afirmação da vida e dos Direitos Humanos. Ela abordou o tema “Vidas sem direito”: “Fiz uma articulação entre a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a condição do trabalhador. Minha busca é incentivar novas discussões sobre a condição do trabalhador”, afirma Miranda.

Comecei a elaborar a pesquisa, em 2013, quando trabalhava no setor de seleção e recrutamento. Observei a angústia do trabalhador com o desemprego. Em nossa sociedade, ficar sem emprego significa morrer diariamente”, analisa. De acordo com Miranda, sua ação na direção do trabalho científico nasceu a partir da angústia do trabalhador. “Fiz pesquisa de campo na indústria naval, na construção civil e concluí que as pessoas se submetem a empregos para a sobrevivência e não questionam a própria qualidade de vida”, avalia.

Também flamenguista, moradora em Belford Roxo, e sempre focada no lado positivo da vida, Miranda, que é professora de Gestão de Pessoas na Escola Técnica Sandra Silva, bate na tecla da importância da prática da pesquisa. “Ganhar esse prêmio, foi fundamental, pois, aumenta a minha credibilidade na área acadêmica, serve de espelho para os estudantes, e mostra que a Baixada Fluminense é produtora de trabalhos científicos que podem contribuir para a melhor qualidade de vida”, defende. Jovem e de bem com a vida, a aluna e pesquisadora da Uniabeu se dedica à vida acadêmica e, quando consegue um tempinho livre, curte praia, viajar, acampar, andar de patins, assistir filmes, andar de bicicleta com o manto rubro-negro.

Você deve estar se perguntando qual será o time do coração da Danúbiah Mendes, certo? Deixa pra lá! Ela curte “nado sincronizado”…

Maria Beatriz Sá Leitão

A psicóloga Maria Beatriz Sá Leitão foi uma profissional e militante reconhecida pela afirmação da vida e dos Direitos Humanos. Bia, como era conhecida, foi conselheira do CRP-RJ e primeira presidente da Comissão Regional de Direitos Humanos do CRP-RJ durante o XI Plenário (2004-07). Ela faleceu de câncer em 2009.

Margarete de Paiva Simões Ferreira

A psicóloga Margarete de Paiva Simões Ferreira morreu, aos 48 anos, na casa dela, na Tijuca, ao lado do marido, o também psicólogo e professor da Uerj Ademir Pacelli Ferreira, e de seus filhos Daniel e Janaína. Ela começou a trabalhar no programa de prevenção à Aids na Secretaria Estadual de Saúde em 1992. Era conhecida e querida por grupos, como o das trabalhadoras do sexo, aos quais dedicou muitas noites, distribuindo preservativos nas ruas da cidade e explicando as formas de contágio e prevenção. Ela trabalhava numa pesquisa de abordagem inédita da Fiocruz sobre Aids, selecionando casais sorodiscordantes (um cônjuge tem o vírus, o outro, não). Meg também se envolveu na luta contra a ditadura militar e participou ativamente da criação do PT no Rio.

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