Selena Gomez relata cirurgia para transplante de rim para tratar Lúpus

Cantora postou no Instagram uma foto em que aparece de mãos dadas com a doadora do órgão: 'Te amo muito, irmã'.

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Selena Gomez usou seu Instagram para explicar o motivo de estar sumida há um tempo após questionamento dos fãs. A cantora, que revelou em 2015 ter Lúpus, contou que como parte do tratamento da doença, precisou passar por um transplante de rim.

“Estou ciente de que alguns de meus fãs notaram que eu estava quietinha durante parte do verão e eles me questionaram porque eu não estava promovendo minhas novas músicas, das quais eu estou extremamente orgulhosa. Eu descobri que eu precisava fazer um transplante de rim devido a meu Lupus e eu estava em recuperação. Isso é algo que eu precisava fazer por minha saúde. Eu honestamente estava ansiosa por dividir isso com vocês minha jornada por vários meses, assim como eu sempre esperei fazer isso com vocês”, afirmou Selena no post.

A cantora aproveitou para fazer alguns agradecimentos especiais e publicou uma imagem em que aparece no hospital, de mãos dadas com a doadora, a atriz Francia Raísa. Em outras imagens que compõem o mesmo post, Selena mostra as cicatrizes da cirurgia.

“Por enquanto, gostaria de agradecer publicamente minha família e a essa incrível equipe médica por tudo o que eles fizeram por mim antes e depois da cirurgia. E finalmente, não existem palavras para descrever o quanto eu agradeço minha linda amiga Francia Raísa. Ela me deu o derradeiro presente e sacrifício ao doar de seu rim para mim. É uma benção inacreditável. Te amo muito, irmã. A Lupus continua sendo uma doença incompreensível, mas o progresso está sendo feito.”

ENTENDA O QUE É O LÚPUS

As mulheres são as principais vítimas dessa doença autoimune. Conheça as causas, os sintomas e os tratamentos disponíveis contra o problema

1. O que é Lúpus?

Trata-se de uma doença inflamatória crônica de origem autoimune – isto é, ocorre uma produção excessiva de anticorpos contra as próprias células do organismo ou contra proteínas existentes no núcleo celular. Há dois tipos principais: o lúpus cutâneo, que se restringe à pele, e o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), que também atinge outros órgãos.

2. É uma doença rara?

Pesquisas apontam que a prevalência do lúpus varia entre 1 a cada 2 mil pessoas e 1 a cada 10 mil. Não há estudos epidemiológicos feitos aqui no Brasil, mas especialistas acreditam que os números sejam os mesmos de outros países.

3. O lúpus atinge mais o sexo masculino ou feminino?

90% dos casos são em mulheres, principalmente naquelas entre 15 e 45 anos de idade”, informa a médica Emilia Inoue Sato, professora titular de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Isso porque é nessa faixa etária que os hormônios estão mais atuantes. E, nesse caso, o estrógeno chama a atenção. “Ele é um facilitador de linfócitos, células produtoras de anticorpos”, explica a reumatologista.

4. O que pode desencadear o lúpus?

Fatores genéticos, hormonais e também ambientais – a exposição ao sol, por exemplo, é um deles. “É que a luz ultravioleta pode ativar o lúpus”, conta Emilia. Além disso, outros elementos podem servir de pontapé para o aparecimento do problema, como infecções virais e até medicamentos.

5. Quais são os sintomas?

Nem todas as pessoas manifestam o lúpus da mesma maneira, pois os sintomas variam de acordo com a fase em que a enfermidade se encontra (atividade ou remissão) e o local onde ocorre a inflamação. Mas é comum que pacientes com LES apresentem cansaço, desânimo, febre e perda de peso nos períodos em que a doença está ativa. Além disso, são comuns:

  • Dor e inchaço nas articulações (principalmente nas mãos);
  • Manchas vermelhas na pele, em especial nas maçãs do rosto e que pioram ao tomar sol;
  • Inchaço ou dificuldade para urinar devido à inflamação nos rins;
  • Dores no peito ou para respirar decorrentes de inflamações nas membranas que recobrem os pulmões e o coração;
  • Problemas neurológicos – a exemplo de convulsão e psicose -, em virtude de comprometimento do sistema nervoso central.

6. Como é feito o diagnóstico?

A identificação do lúpus é baseada em manifestações clínicas e alterações notadas em testes laboratoriais, principalmente os de sangue. Não há um exame que tenha alta especificidade e sensibilidade para o diagnóstico do LES.

7. Existe um tratamento?

Por ser uma doença crônica, o lúpus não tem cura. No entanto, é possível controlá-lo não só com medicamentos, mas também com a adoção de certos hábitos. “Entre eles estão evitar exposição ao sol, prevenir-se de infecções e praticar atividade física nas fases em que a doença não estiver ativa”, recomenda a reumatologista Lilian Tereza Lavras Costallat, professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista.

Quanto aos remédios usados no tratamento, os pacientes devem tomar hidroxicloroquina, substância que previne a doença de entrar em atividade. Já os corticoesteroides são indicados para a fase inflamatória aguda do lúpus. Se mesmo assim não houver controle, a indicação é associar outro medicamento que ajude a atenuar o processo inflamatório ou a reduzir a resposta imunológica do organismo. “Mas o tratamento depende muito das manifestações que o paciente apresenta”, pondera Lilian Costallat.

8. A pessoa com lúpus precisa de cuidados especiais?

Sim. Entre eles estão evitar exposição ao sol; parar de fumar, já que o cigarro reduz a ação da hidroxicloroquina; fazer exercícios; adotar uma dieta rica em cálcio para prevenir a osteoporose, associada ao uso de corticoesteroides; e não consumir alimentos ricos em gordura e açúcar, afastando, assim, os picos de colesterol e triglicérides e o risco de aumento da glicemia, também ligado a esses medicamentos.

9. A mulher com lúpus pode ter filhos?

Sim, desde que a doença esteja controlada por, no mínimo, seis meses e a paciente não faça uso de medicamentos que possam fazer mal ao feto. Mesmo assim, a gravidez precisa de cuidados e acompanhamento médico mais rigorosos. “Pessoas que ficaram com disfunções importantes em órgãos como rim, coração ou pulmão não devem engravidar”, alerta Emilia Inoue Sato.

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