Salário dos servidores do Rio está ameaçado, informa secretário estadual de Fazenda

126

Nomeado secretário estadual de Fazenda há 13 dias, o economista Guilherme Mercês afirma que o estado só tem dinheiro em caixa para pagar o salário de servidores até agosto (quantia a ser depositada em setembro).

A partir daí, o governo precisará angariar R$ 6,4 bilhões em recursos extras para conseguir arcar com a folha de pagamento e manter a prestação de serviços públicos em 2020. Mercês é alvo de críticas de deputados, que dizem que ele é ligado ao ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão, desafeto de boa parte da Assembleia Legislativa.

Em entrevista ao EXTRA, ele disse não considerar a hipótese de o governo federal retirar o estado, em setembro, do Regime de Recuperação Fiscal. A manutenção do acordo daria ao Palácio Guanabara mais três anos de adiamento para pagar a dívida com a União. Segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, um parecer do Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal que será divulgado este mês é favorável ao rompimento do regime, já que o estado não tem conseguido cumprir metas pré-estipuladas. De acordo com Mercês, há uma queda de arrecadação de R$ 10 bilhões.

— Tomamos medidas que acumulam um fôlego de R$ 4 bilhões, como a negociação da operação Delaware, que reduz o aporte do Rio Previdência, e um acordo com o Tribunal de Justiça suspendendo o pagamento de precatórios. E temos aí um desafio de conseguir R$ 6,4 bilhões no nosso caixa projetado até o fim do ano — diz.

O secretário afirma que há um desafio de arrumar receitas extras para os salários:

— Temos de estruturar as finanças do estado para conseguir efetuar o pagamento do salário de agosto (em setembro) e manter saudável a prestação de serviços públicos. Precisamos, nesses três meses, construir parceria do governo com a Assembleia Legislativa e a sociedade para equilibrar as contas.

Socorro

A lei que permitiu o socorro de R$ 60 bilhões da União aos estados e municípios (Lei Complementar 173/2020), além de proibir o reajuste de salários dos servidores públicos até 2021, suspende, pelo mesmo período, a contagem de tempo de exercício na carreira pública para fins de pagamento de adicionais por tempo de serviço, como triênios e quinquênios, licenças-prêmio e progressões na carreira. O governo pagou, na terça-feira, a primeira parcela do socorro aos entes.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui