Nova Iguaçu é um município repleto de passeios e aventuras para todas as idades

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Quando o assunto é turismo no Rio de Janeiro a primeira imagem que vem à cabeça são os locais mais conhecidos: Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Floresta da Tijuca, Maracanã etc. No entanto, um polo está em pleno crescimento no Estado do Rio de Janeiro, com ótima oferta de passeios e aventuras para todas as idades: Nova Iguaçu. Um dos maiores da Baixada Fluminense, o município tem pontos de interesse turístico, cultural e histórico que agradam os amantes de esportes radicais e também àqueles que gostam de paz, tranquilidade, caminhadas ecológicas e construções históricas, além de atividades de lazer ao ar livre e boa gastronomia.

No entanto, conhecer todos os pontos turísticos de Nova Iguaçu requer tempo e muita disposição. Uma das principais atrações é um vulcão de aproximadamente 40 milhões de anos que ali descansa inofensivamente. Considerado o único vulcão em território brasileiro, extinto e ainda preservado, o local atrai não só estudantes e profissionais interessados em pesquisas do solo daquela área, como também um grande número de esportistas. A cratera foi descoberta no final da década de 70 pelos geólogos André Calixto Vieira e Victor Klein.

Chegar à cratera do vulcão, por si só, já é um atrativo e tanto. Para o visitante que estiver a fim de conhecê-la, vai o aviso: não esquecer de levar muita água e usar roupas leves. A partir da entrada do Parque Municipal de Nova Iguaçu e ao longo das duas horas de caminhada o visitante verá, às margens das trilhas na montanha, cachoeiras, nascentes, pequenos lagos e as ruínas de belas construções do século 19, como a sede de uma fazenda que abrigava plantações de café e carvoarias. Mas é a descida pelas inúmeras encostas e paredões de pedra que têm levado um contingente cada vez maior de desportistas a descobrir não só a beleza da paisagem como a adrenalina de se ver pendurado por uma corda a uma boa altura, com o coração a mil por hora.

A Serra do Vulcão, como ficou popularmente conhecida a Serra de Madureira, tem diversas trilhas e atrai adeptos de esportes radicais. A 600 metros de altura há duas rampas para prática de parapente e asa delta. Do alto, em dias de sol e céu claro, é possível ter uma visão panorâmica de Nova Iguaçu e avistar a Serra do Tinguá, a praia da Barra da Tijuca, parte do bairro carioca de Campo Grande e até mesmo, com a ajuda de binóculos, o Cristo Redentor. Segundo André Calixto Vieira, a cratera do vulcão está praticamente intacta e o depósito de material associado à erupção vulcânica também. Este é o motivo da sua preservação e existe a necessidade de uma ação para seu tombamento como monumento natural.

A cratera do vulcão está localizada no Parque Municipal de Nova Iguaçu, o primeiro geoparque do Estado de Rio de Janeiro, que faz parte da APA (Área de Proteção Ambiental) do Gericinó-Mendanha, considerada Reserva da Biosfera pela Unesco desde 1996. Além de ser uma área remanescente da Mata Atlântica, o parque abriga valores históricos e culturais, como a sede da Fazenda Dona Eugênia, conhecida atualmente como Casarão, construída no final do século 19; as ruínas do Cassino Dom Felipe, que funcionou até meados da década de 1960 e que já indicava a vocação da área para lazer na natureza; e o Quilombo, área de ocupação quilombola perto da pedra da Contenda.

Outra atração do local é a Pedreira São José, de sienito (uma rocha magmática), que teve sua lavra desativada há muitos anos. Ela fica a 158 metros de altitude, a 200 metros de distância da guarita de entrada do parque, seguindo a Estrada da Cachoeira, margeando o rio Dona Eugênia. A pedreira serve como um amplo espaço multiuso onde são realizadas atividades físicas, de educação ambiental e de observação de pássaros.

Serra do Tinguá e suas belezas naturais

Partindo em direção ao sul do município encontramos a região da Serra do Tinguá, onde nasce o Rio Iguaçu, um lugar pacato, acolhedor e com uma natureza privilegiada. Durante a segunda metade do século 19 foram construídas na área várias represas, para o abastecimento de água para o Rio de Janeiro, e a Ferrovia Rio do Ouro, que corta a região e foi implantada para manutenção dos aquedutos.

Do centro de Nova Iguaçu até o Tinguá são aproximadamente 20 km. Ao longo da RJ-111, mais conhecida como Estrada Zumbi dos Palmares, é possível ver as ruínas de alguns edifícios históricos, como a Fazenda São Bernardino, construída em estilo neoclássico em 1875, da qual sobrou quase nada. Por caminhos de terra chega-se à Igreja de Nossa Senhora da Piedade e aos cemitérios dos nobres e dos plebeus. Da igreja que ali existia resta apenas uma torre sineira. Era também nos arredores do Tinguá que estava localizado o Porto da Vila de Iguaçu, por onde escoava a produção das fazendas locais, na maioria citricultoras e cafeicultoras.

Ao longo do caminho é possível descobrir propriedades que têm investido no turismo ecológico, como o Refúgio Eco Tinguá, uma pousada com programação de eco turismo na qual são ministrados cursos de formação profissional e geração de renda, além de atividades de integração comunitária e educação ambiental para jovens da Baixada Fluminense. Parte da área da pousada faz parte de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), bem próxima à Reserva Biológica do Tinguá. Os visitantes têm a opção de passar o dia desfrutando de pescarias, banhos de piscina ou em lago natural, passeios a cavalo e de bicicleta, e conhecer cachoeiras e o entorno da Reserva Biológica do Tinguá.

Criada em maio de 1989, a Reserva é um dos lugares mais bonitos da Baixada Fluminense, abrangendo os municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Petrópolis e Miguel Pereira. Considerada uma das áreas remanescentes de Mata Atlântica mais representativas do Estado, a reserva tem rios, corredeiras, cachoeiras e piscinas naturais, além de ruínas dos séculos 18 e 19. O local é um importante laboratório natural para o desenvolvimento de pesquisas sobre a biodiversidade e tem ainda grande relevância como área estratégica.

A reserva foi criada para proteger uma amostra representativa da Floresta Atlântica e demais recursos naturais. Hoje em dia, proporciona o desenvolvimento de pesquisas científicas e educação ambiental. Espécies como jequitibás, sapucaias, jatobás e quaresmeiras são abundantes, bem como orquídeas e bromélias. A parte mais alta da reserva atinge 1.600 metros de altitude, sendo possível avistá-la de todo o município.

No seu interior, em local não aberto à visitação pública, encontram-se as ruínas da Freguesia de Santana das Palmeiras, povoação que foi abandonada no final do século 19. Hoje, a reserva está fortemente ameaçada por caçadores de animais silvestres, que vendem sua carne ou os capturam para exportação. Embora o acesso do público seja proibido, é possível ao turista conhecer o entorno da reserva, que conta com Mata Atlântica preservada, rios, corredeiras, cachoeiras, piscinas naturais e ruínas dos séculos 18 e 19.

Se ainda faltavam motivos para visitar Nova Iguaçu e descobrir os atrativos da região, uma boa ocasião para agendar passeios e caminhadas pode ser o dia 30 deste mês, quando é comemorado o Dia da Baixada. A data se refere à inauguração da primeira estrada de ferro construída no Brasil, em 1854, que ligava o Porto de Mauá à região de Fragoso, no pé da Serra de Petrópolis, e seu principal objetivo é celebrar a potencialidade e os valores naturais, culturais e econômicos, humanos da região.

O que visitar em Nova Iguaçu

Serra do Vulcão
Acesso por uma trilha a partir do campus da Universidade de Nova Iguaçu. Apesar do nome, a crosta não é de origem vulcânica, mas sim de traquito, uma rocha magmática. Localizada a 885 metros acima do nível do mar, a área é favorável a vôo livre de asa delta.

Parque Municipal de Nova Iguaçu
Primeiro geoparque do Estado de Rio de Janeiro. Sua sede fica no vale do rio Dona Eugênia. Abriga pontos de valor ecológico, histórico e cultural, além de locais representativos da história geológica da região.

Fazenda São Bernardino
Localizada na Estrada São Bernardino, próxima à Reserva Biológica, data de 1875. Produzia café, açúcar, aguardente e farinha de mandioca, extraía madeira e exportava carvão. Tombada pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1951, hoje em ruínas, devido a um incêndio.

Igreja de Santo Antônio de Jacutinga
Localizada no centro de Nova Iguaçu, na Avenida Getúlio de Moura, data do século 19. É a antiga Matriz de Santo Antônio da Aldeia dos Jacutingas.

Igreja de Nossa Senhora do Marapicu
Foi construída no século 18, na antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, e foi chamada primeiro de Orago de Mariapicu.

Torre Sineira da Igreja de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu
Da capela, construída em 1699, restaram a torre sineira e as ruínas. No mesmo local existe o antigo cemitério dos escravos da Freguesia da Piedade do Iguaçu, ainda sendo utilizado, e o cemitério dos nobres, desativado e em ruínas.

Porto da Piedade do Iguaçu
No século 17, faluas e chalanas escoavam a produção agrícola e o ouro que ali eram embarcados. Localizado no início da Estrada do Comércio, o porto ocupa terras do Sítio Arqueológico de Vila do Iguaçu.

Serra do Tinguá
Em uma de suas abas nasce o rio Iguaçu. Durante o Segundo Reinado foram construídas represas para o abastecimento da corte, na cidade do Rio de Janeiro. A ferrovia Rio do Ouro foi construída para a manutenção dos aquedutos. A partir daí, a Mata Atlântica foi sendo reconstituída naturalmente. Abriga a Reserva Biológica do Tinguá.

Praça do Skate
Apesar das modernas pistas da Via Light terem a preferência dos praticantes, a antiga pista, em frente ao viaduto Padre João Müsch, tem sua importância por ter sido a primeira pista de skate da América Latina.

Morro do Cruzeiro
Localizado na parte da Serra de Madureira, de frente para a cidade, possui um mirante de onde é possível ver grande parte do território de Nova Iguaçu. Ainda é utilizado para procissões e ponto de encontro dos que gostam de curtir a natureza.

Fonte SESC

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