‘Guardiões do Crivella’: entenda as denúncias sobre esquema para impedir reportagens sobre a saúde no Rio

Funcionários pagos com dinheiro público se organizam em grupo de WhatsApp e ficam na porta de hospitais para impedir denúncias da Saúde. Telefones de Crivella e de membros do primeiro escalão estavam em um dos grupos.

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Funcionários da Prefeitura do Rio, pagos com dinheiro público, fazem plantão na porta de hospitais municipais para atrapalhar reportagens e impedir denúncias de problemas na Saúde, como mostrou o RJ2 de segunda-feira (31). O esquema era combinado em grupos de aplicativo de mensagens. Um deles denominado “Guardiões do Crivella”.

A cúpula do governo municipal faz parte de um dos grupos. O telefone do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, consta na relação. O jornalista Edimilson Ávila já falou com o prefeito neste número. Uma testemunha disse ao RJ2 que Crivella enviava mensagens parabenizando as ações.


Funcionários da prefeitura fazem plantão em hospitais para impedir o trabalho da imprensa
Funcionários da prefeitura fazem plantão em hospitais para impedir o trabalho da imprensa

Como funciona o esquema

  • os “guardiões” são distribuídos por escalas, postam fotos para “bater ponto” e comemoram quando atrapalham a imprensa
  • líder do esquema é Marcos Luciano (o ML), que foi missionário com Crivella e é assessor especial do gabinete do prefeito
  • ML teve bens apreendidos, como celular, notebooks e dinheiro
  • há funcionários que têm salário maior do que enfermeiros e técnicos de enfermagem

1º escalão da prefeitura no grupo

  • Marcelo Crivella – prefeito do Rio;
  • Beatriz Busch – secretária municipal de Saúde;
  • Paulo Amêndola – presidente do Instituto Pereira Passos;
  • Adolfo Konder – secretário Municipal de Cultura;
  • Valéria Blanc – assessora que faz a interlocução do prefeito com a imprensa;
  • Marcelo Marques – Procurador-Geral do município;
  • Paulo Mangueira – presidente da Comlurb;
  • Margareth Cabral – chefe de Gabinete do prefeito;
  • Airton Aguiar – presidente da CET-Rio;
  • Paulo Albino – secretário especial do prefeito;
  • Flávio Graça – superintendente de Educação da Vigilância Sanitária.

Nas mensagens obtidas pelo RJ1, eles não se manifestam.

Os ‘guardiões’ identificados

O RJ2 identificou ao menos 16 pessoas que participam da “tropa” – como eles mesmo se chamam –para atrapalhar as reportagens. Somados, os salários chegam a 79.600,67 por mês. São eles:

  1. Marcos Luciano, o ML: cargo especial – R$ 18.513,78
  2. Eduardo Gil dos Santos Duarte: cargo especial – R$ 7.895,56
  3. Luiz Felipe Da Silva Ferreira: cargo especial – R$ 7.195,56
  4. Daniela Rocha Pinto de Jesus: cargo especial – R$ 6.695,56
  5. Hidequilene da Silva de Araújo dos Santos: cargo especial – R$ 5.195,56
  6. Rivaldo Irineu da Silva, o Jogador: cargo especial – R$ 4.384,10
  7. Luiz Carlos Joaquim da Silva, o Dentinho: cargo especial – R$ 4.195,00
  8. David Williams Rocha De Souza: assistente – R$ 3.422,09
  9. Ricardo Barbosa de Miranda: assistente 3 – R$ 3.422,09
  10. José Robério Vicente: cargo especial – R$ 3.229,89
  11. Marcos Aurélio Poydo Mendes, o Marcão Da Ilha: cargo especial – R$ 2.788,40
  12. Gilmar Henrique Aleves De Oliveira: cargo especial – R$ 2.788,40
  13. Marcelo Dias Ferreira: cargo especial – R$ 2.788,00
  14. Elias Lira Guilherme: cargo especial – R$ 2.695,56
  15. Marcio Ribeiro Ramos: cargo especial – R$ 2.695,56
  16. Josenildo Correia Gonçalves, o Nido da Padaria: cargo especial – R$ 1.695,56

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