Faixa Preta de Jesus. Projeto na Baixada que combate drogas e crimes através do MMA.

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Que o esporte é uma importante ferramenta contra drogas e crimes todo mundo sabe, mas poucos dedicam suas vidas para ajudar aos que são marginalizados pela sociedade. Conheça Ricardo Cavalcante e o projeto social FAIXA PRETA DE JESUS.

Atualmente com cerca de 400 alunos fazem parte de um projeto social que está em expansão e vem chamando a atenção na Baixada Fluminense.

O “Faixa Preta de Jesus” já ajudou a resgatar diversos atletas que antes de conhecerem o projeto, eram moradores de rua, usuários de entorpecentes, vítimas de pedofilia e do crime organizado. O Faixa preta de Jesus, deu um golpe em todas as dificuldades e levantou em Nova iguaçu, um lugar que oferece toda infraestrutura de forma gratuita para os atletas da região. Com alojamento, espaço para treinos e refeições, atualmente, 8 atletas usufruem das dependências do projeto social.

Nos concedeu entrevista exclusiva, o fundador e coordenador do projeto, Ricardo Cavalcante. Confira na íntegra como foi o bate-papo.

Ao centro, Ricardo Cavalcante com os atletas do Faixa Preta de Jesus (Foto: Jean Dutra)

Confira abaixo a entrevista completa:

PB: Ricardo,como esse projeto surgiu? 

RC: Ele surgiu em 2008 através de um sonho que virou realidade. Estamos desenvolvendo-o há 8 anos com um trabalho diferenciado. Nós usamos a luta para evangelizar e foi dando certo. Hoje já passaram 14 mil jovens e fomos buscando pessoas que tinham sonhos. Sonhos de lutar, competir… e esses sonhos estavam meio presos porque além de não ter oportunidade, eles conheceram as drogas e o crime cedo. A gente chamou eles pra algo diferente e eles aceitaram e tá dando certo. Deus é tremendo. Temos várias histórias de pessoas que mudaram de vida através da luta e a gente fica muito feliz por estar podendo abrir portas para sonhos e oportunidades de outros para serem bem sucedidos.

PB: Nesses 8 anos, quais foram as dificuldades que o projeto enfrentou? Em média, quantos atletas o projeto acolhe ?

RC: As dificuldades não param. Nós tivemos dificuldades de 8 anos. Tivemos muitos choros e muitos “não” . Tudo o que é grande, um dias nasceu pequeno. As dificuldades são imensas, mas a sociedade tem um poder na mão, um poder imenso, que é o poder de ajudar… tanto que, você vê que tem certos programas de TV que precisam de grana e todo ano arrecadam milhões porque o povo quer fazer alguma coisa, mas na verdade, é dentro do teu bairro que tem um projeto social funcionando e você não tá vendo. E mesmo do seu lado, as pessoas são incrédulas. Claro que existem pessoas oportunistas querendo abrir projetos sociais hoje para enriquecer, mas existem projetos que existem com maior verdade. Hoje nós temos 400 alunos. Temos uma equipe de MMA profissional com ex trafiacantes e ex- dependentes químicos. Hoje moram 8 pessoas aqui dentro e nós temos almoço, temos lanche, temos uma equipe que já tem cinturão no MMA e estreiamos no Jungle Fight. O Projeto hoje, tomou uma dimensão muito grande.

“…é dentro do teu bairro que tem um projeto social funcionando e você não tá vendo.”

 

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Os irmãos Minotouro e Minotauro com o também Brasileiro Maurício Shogun. (Foto:Arquivo Pessoal)

PB: Chegou a faltar alguma coisa para os atletas? Se sim, você já pensou em desistir por conta disso?

RC: As vezes não dá vontade nem de levantar. Eu falo que se fosse outro ser humano que estivesse aqui, já teria fechado as portas. Porque existe aí uma galera que no ajuda, mas ainda é muito pouco pela proporção de gasto que a gente tem aqui dentro. Eu sei que isso é um chamado, até porque se não fosse, já teria chutado o pau da barraca. É porque isso aqui é Faixa Preta de Jesus, se fosse de Ricardo, já teria acabado.

PB: Hoje, quais são os atletas que se destacam aqui e que vocês estão apostando?

RC: A nossa equipe hoje, chefiada pelo professor Marcio Duracell, tem o Vinícius Blade, que é um garoto novo e já tem um cinturão e  vai lutar o UFC com certeza. Acreditamos que o ano de 2016 vai ser um ano especial pra ele. Nós temos o Pedro Brum que é um atleta renomado e esses dois caras junto com o Thiago Mamute vai dar muito resultado para a Baixada Fluminense.

“É porque isso aqui é Faixa Preta de Jesus, se fosse do Ricardo, já teria acabado.”


REPORTAGEM EXCLUSIVA: JEAN DUTRA – PORTAL BAIXADA

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