Duelo da economia: novo up! turbo encara Uno com start-stop

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As fabricantes de veículos no Brasil precisam cumprir, até 2017, metas de consumo e emissões impostas pelo Inovar-Auto — regime automotivo proposto pelo governo federal desde 2012. Uma das chaves para isso é investir e em soluções tecnológicas para que motores menores gerem mais potência, consumindo menos.

fiat-uno-evolution-e-volkswagen-white-up-tsiNo topo da cadeia evolutiva, versões prometem andar bem e gastar pouco

O primeiro passo surgiu com modelos pequenos usando motores de três cilindros de 1 litro: Hyundai HB20/Kia Picanto, Nissan March e Ford Ka são exemplos. Em seguida, marcas de carros premium (mais caros) apostaram em motores maiores (de até 2 litros) com tecnologia flex e sobrealimentados por turbo: Peugeot 308, 408 e 2008 com
motor THP; Citroën C4 Flex THP; BMW Série 3 ActiveFlex e, recentemente, Classe A, B, CLA e GLA Turboflex são exemplos.

O próximo passo – e talvez o mais aguardado — é colocar o turbo em carros pequenos para finalmente ter economia e boa dirigibilidade no segmento que mais vende.

Recomeço

A Fiat, em 2014, foi a primeira montadora a apostar no uso do start-stop (sistema da Bosch, que reforça o sistema elétrico todo do modelo e, na prática, desliga e religa o carro em paradas rápidas) em veículos de massa, ao lançar a linha 2015 do Uno. O equipamento é acoplado ao Uno Evolution, que parte de R$ 40.690, com motor 1.4 Fire Evo Flex, um quatro-cilindros tradicional que gera 88 cavalos e 12,5 kgfm de torque com etanol (85 cv e 12,4 kgfm com gasolina).

Ainda assim, a economia de combustível pode chegar 20%, com redução também de emissões, se comparado às versões com motores comuns.

Agora é a vez da Volkswagen: o up! com motor 1.0 TSI, de três cilindros, ganha turbo e injeção direta de combustível, tecnologia antes disponível apenas em modelos maiores e mais caros. A promessa é fazer o modelo ser ainda mais econômico do que já é (Nota A do Inmetro), ganhando até mesmo um toque de esportividade. Os preços são os seguintes:

– 1.0 aspirado (MPI)

take up! 1.0 MPI: R$ 30.660
move up! 1.0 MPI: R$ 40.390
cross up! 1.0 MPI: R$ 43.930
high up! 1.0 MPI: R$ 44.940

– 1.0 Turbo e injeção direta (TSI)

move up! 1.0 TSI: R$ 43.490
cross up! 1.0 TSI: R$ 47.030
high up! 1.0 TSI: R$ 48.040
red/white/black up! 1.0 TSI: R$ 48.690 (versão testada por UOL Carros)
speed up! 1.0 TSI: R$ 49.990

Após cerca de 150 quilômetros, o mostrador do up! apontava cerca de 2/3 do tanque de combustível (que tem 50 litros) restantes; o Uno já passava de meio tanque (que tem 48 litros).

FULLPOWER MOSTRA SPEED UP! TURBO EM AÇÃO

Desempenho

Para quem prefere pisar um pouco mais, mesmo a bordo de carrinhos mil ou similares: nesse quesito, passeio do modelo da Volkswagen, que parece ter a força de um hatch com motor 1.8 durante acelerações e retomadas de velocidade.

Há força extra, inclusive, para encarar subidas. São 101/105 cv de potência (gasolina/etanol) e 16,8 kgfm de torque (mesmo valor com os dois combustíveis) a apenas 1.500 rpm — o pico de torque surge entre 1.500 e 4.500, mas a marca garante que 80% dele está presente logo no início.

Apenas para comparar, o motor comum do up!, sem turbo, entrega 75/82 cv a 6.250 rpm e 9,7/10,4 kgfm (gasolina/etanol) a mais altos 3.000 giros.

No caso do Uno, não é que ele seja fraco ou acelere pouco. É preciso, porém, exigir muito mais do motor 1.4 da Fiat para que ele acompanhe o ritmo do carro da Volks. Essa necessidade de pedir mais esforço do motor, não apenas no duelo, mas também no uso diário, contribui para o maior gasto de combustível. Ainda assim, ele recebe o selo do Conpet e Nota A no programa de etiquetagem do Inmetro.

Os números, porém, refletem o que se sente nas ruas e acabam sendo piores: enquanto, segundo o Inmetro, o up! TSI faz 13,8/9,6 km/l na cidade e 16,3/11,1 km/l na estrada (gasolina/etanol), o Uno 1.4 Evolution alcança 10,5/8,9 e 15,1/10,5 km/l, respectivamente.

Murilo Góes/UOL

Vai subir a ladeira? Força do turbo prevalece e up! deixa Uno para trás

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