8 em cada 10 jovens mortos em intervenções policiais são negros, diz Anistia

1017
Segundo relatório de ONG, 75% das vítimas de homicídio em ações policiais são jovens

ovem e negro. Esse é o perfil dos jovens que morrem em decorrência de intervenção policial na cidade do Rio de Janeiro, segundo o relatório “Você matou meu filho” da ONG Anistia Internacional. Das 1.275 vítimas de homicídio em intervenção policial entre 2010 e 2013, 99,5% eram homens, 79% eram negros e 75% tinham entre 15 e 29 anos de idade.

Os casos de morte em intervenção policial ou auto de resistência correspondem a 15,6% dos homicídios na cidade. Ou seja, quase um em sete casos de morte na cidade acontece por armas de policiais.

No fim de novembro, cinco cariocas que se encaixam nesse perfil do relatório foram assassinados por policiais em Costa Barros, zona norte. Jovens, negros e homens, eles foram baleados após terem o carro alvejado por policiais militares.

A Polícia Civil prendeu em flagrante os PMs Thiago Resende Viana Barbosa, Marcio Darcy Alves dos Santos e Antonio Carlos Gonçalves Filho, suspeitos da morte dos jovens. Segundo a delegacia da Pavuna (39ª DP), eles vão responder por homicídio doloso — com intenção de matar — e fraude processual, por alterar a cena do crime.

No relatório, a Anistia destaca que “a Polícia é responsável por uma significativa porcentagem dos homicídios no Brasil. Para além das mortes cometidas por policiais em serviço, considera-se que há também um número grande, de mortes causadas pela atuação de grupos de extermínio e milícias”.

Jovens fuzilados: polícias riram após crime

A Polícia Civil investiga se os quatro policiais militares acusados de assassinar cinco jovens em Costa Barros estavam cumprindo uma missão para beneficiar o cliente de uma empresa de segurança, comandada por um major.

Roberto de Souza Penha, 16 anos, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16 anos, Wilton Esteves Domingos Junior, 20 anos, Cleiton Correa de Souza, 18 anos, e Wesley Castro Rodrigues, 25, foram mortos na ação policial.

Os PMs alegaram que o Palio em que estavam os jovens entrou no meio de um tiroteio. Na quinta-feira (3), uma testemunha ouvida pelos investigadores negou a versão dos PMs e relatou que os PMs envolvidos sorriram após a morte dos jovens. A testemunha afirmou aos investigadores, em depoimento, que conhecia os jovens e que nenhum deles estava armado.

De acordo com a testemunha, Junior, que dirigia o Palio branco em que os jovens estavam, obedeceu a ordem de parada dos PMs. Após encostar o carro, os jovens teriam erguido os braços, sendo que um deles chegou a tirar o corpo para fora da janela com as mãos para cima.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui