Zika vírus, transmitido pelo Aedes, também pode causar síndrome neurológica

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Além de estar ligado a casos de microcefalia, como confirmou o Ministério da Saúde, o zika vírus pode causar outra doença neurológica, com risco de morte, segundo infectologistas.

A síndrome de Guillain-Barré acontece quando, após a ação do vírus, o organismo cria anticorpos para combater a infecção, mas eles acabam atingindo o sistema nervoso e causando paralisia.
— Geralmente é um caso reversível, mas requer tratamento com altas doses de imunoglobulina — explica o infectologista da UFRJ Edimilson Migowski.
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O zika vírus, já notificado em 18 estados do Brasil, não é o único responsável pela síndrome. Pessoas com dengue, chikungunya, gripe e outras infecções virais e bacterianas também podem contraí-la. Sua manifestação, contudo, é rara. Segundo o infectologista, normalmente há um caso para cada um milhão de habitantes.
No caso de pacientes com zika, a Guillain-Barré costuma demorar entre dez e duas semanas para se manifestar. Os sintomas aparecem quando o paciente já está quase se recuperando da virose. Diagnosticada no início e com o tratamento adequado, a síndrome é reversível, mas, em alguns casos, pode deixar sequelas.
— Não é comum, mas a pessoa pode ficar com dificuldades para andar, com deficiência muscular e até alterações na fala — diz o neurologista e diretor da Neurovida Cuidados Médicos, André Lima.
Em casos mais graves, o paciente pode precisar da ajuda de aparelhos para respirar. O processo de recuperação pode incluir sessões de fisioterapia, segundo Migowski.

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Desde junho, o Estado do Rio de Janeiro notificou dois casos de síndrome de Guillain-Barré em pessoas que apresentaram manchas vermelhas pelo corpo — um dos sintomas da zika. Segundo a Subsecretaria de Vigilância em Saúde do estado, contudo, não há confirmação de que esses casos tenham ligação com a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
Como a síndrome não é uma doença de notificação obrigatória, a subsecretaria informou que os dados são limitados.
A Secretaria de Saúde informou ainda que há relatos da ocorrência de síndromes neurológicas após casos de dengue e chikungunya desde 1960 e, após casos de zika vírus, desde 2007. Porém, “os estudos que associam a zika vírus e a síndrome de Guillain-Barré ainda são muito limitados”, afirmou a pasta, por meio de nota. E conclui: “A síndrome de Guillain-Barré ainda é considerada um evento raro mesmo em pacientes com zika”.

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