UFRJ desenvolve trem de levitação magnética

Tecnologia brasileira é mais barata do que a usada em outros países. Trem tem capacidade para dez pessoas, com velocidade de cerca de 10 km/h.

0
329
Quem visita o campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) já pode embarcar numa viagem experimental do trem de levitação magnética. A tecnologia brasileira é mais barata que a usada em outros países.

Tem fila de passageiros. Tem plataforma de embarque. É como todo trem, mas esse tem coisas que outros não têm.

De longe não dá pra ver. Mas, repara o detalhe: anda sem encostar no chão. “Voa” baixo, bem baixo – coisa de 1 cm.

Já ouviu falar em “levitação magnética por supercondutividade”?

Para ajudar a explicar o que é isso, veja no vídeo acima o que acontece quando uma barra de alumínio é jogada no chão e quando é jogada em cima do trilho magnético.

O princípio que faz o alumínio pousar suave é o mesmo que faz o trem flutuar. Parece truque de mágica, mas é um fenômeno físico. Tudo acontece dentro de placas recheadas com um material chamado supercondutor, que é capaz de gerar um campo magnético extremamente forte. O trilho e o trem se repelem, na medida certa.

“Se fossem dois ímãs, isso daí não ficaria muito tempo. O polo norte ia grudar com o sul. Mas como é um supercondutor e um ímã, chega-se uma situação de equilíbrio estável”, explica Richard Stephan, professor da Coppe/UFRJ.

Mas, para que esse processo aconteça, as placas têm que ser resfriadas com nitrogênio. Lá dentro, a temperatura é de -200 °C.

Um pouco mais acima, na cabine sem ar condicionado, está quase 40 °C.  É um protótipo. Os passageiros, quase todos estudantes de engenharia, estão suados, mas felizes.

“Quando eu era calouro, eu subia em cima de uma coisa bem básica. Hoje, subir em cima do Maglev, ver ele andando entre os dois pontos, é uma experiência muito legal”, diz o estudante de engenharia elétrica Fábio Andrade Leite Alves.

A estudante Vitória de Castro e Silva comemora: “Querendo ou não, é uma coisa nossa, né? Então dá muito orgulho”.

Alemanha, China e Japão já usam trens magnéticos de passageiros. Mas os pesquisadores da UFRJ dizem que essa tecnologia é diferente, mais estável e mais barata.

China e Alemanha estão desenvolvendo projetos parecidos, mas o nosso está bem mais avançado.

Por enquanto, o trem brasileiro leva 10 pessoas, a mais ou menos 10 km/h num trecho de 200 metros dentro no campus da universidade. O projeto é ampliar para 5 km até 2020.

E, para o futuro – algumas décadas, quem sabe -, a ideia é transportar muito mais gente, muito mais rápido, e pela cidade inteira.

“Pode acelerar e frear com taxas muito superiores às de um veículo que depende do atrito roda trilho. Pode subir rampas mais inclinadas”, compara o professor Richard Stephan.

DEIXE UMA RESPOSTA