Público não quer ver catequese na TV – diz autor sobre A Terra Prometida

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Disposta manter o público de “Os Dez Mandamentos”, a Record estreia nesta terça-feira (5) “A Terra Prometida”. No horário mais nobre da emissora, que passou a ser reservado para produções bíblicas, Moisés sai de cena depois de uma saga contada em duas partes, sendo a primeira no Egito e a segunda no deserto, e entra seu discípulo, Josué. 

Não é só na história do Antigo Testamento que acontece uma passagem de bastão. Para contar o que acontece com o povo hebreu após a morte de seu líder, Renato Modesto herda o posto de autor da novela deixado por Vivian de Oliveira. Mesmo sabendo da responsabilidade de manter o legado já conquistado, ele não teme pela pressão que pode vir a ocorrer.

“Sou um autor de muita sorte porque ‘Os Dez Mandamentos’ foi mais do que um sucesso. A gente diz que foi um fenômeno. O público ficou encantado. Era uma novela belíssima. Quando soube que escreveria a continuação já fiquei feliz porque nada como continuar a escrever uma história de sucesso. Pegar uma história que não vai bem e precisar transformá-la é mais difícil. Esse é um início mais confortável”, considera.
A situação mais cômoda, no entanto, não vem com menos desafios. Assim como o livro de Josué inaugura um novo tempo bíblico, “A Terra Prometida” vai narrar fatos que fazem parte de uma nova história. Com o fim de “Os Dez Mandamentos”, encerrou-se uma fase e agora se dá início uma nova novela com personagens e enredo próprios.
“O mais desafiador é ser fiel ao que está na Bíblia porque não dá para fazer uma adaptação de um livro bíblico sem respeitar o que está escrito. Eu procurei fazer essa adaptação com muita fé e respeito. E não só em relação à Bíblia, mas do ponto de vista histórico também. Como era a sociedade de Israel 1.200 anos antes de Cristo? Ao mesmo tempo, o público não quer ver uma aula de história e nem uma aula de catequese. O público quer entretenimento, diversão, emoção, humor. O desafio é conseguir ser respeitoso à Bíblia e ao mesmo tempo conseguir fazer uma obra ficção”, afirma Modesto.
Apesar de todas novidades de uma história com previsão para ser narrada em 150 capítulos, a novela deverá repetir cenas e momentos marcantes que já foram exibidos anteriormente. O objetivo é tornar a trama interessante para quem já assistiu aos “Dez Mandamentos”, mas sem ignorar o potencial de fisgar novos telespectadores.
Divulgação/Record

Cena da abertura do Mar Vermelho será exibida em “A Terra Prometida”

“O Renato tomou o cuidado de colocar flashbacks. A gente tem que explicar a história. A sequência do Mar Vermelho fez muito sucesso e certamente vai estar de novo na novela. A tradição israelita e até a escritura da Bíblia era oral. Existe essa tradição do povo hebreu de recontar as histórias. A gente usa isso para também contar história para os telespectadores e pontuar o que é importante”, diz o diretor de teledramaturgia Alexandre Avancini, que espera manter nos primeiros capítulos os 16 pontos de audiências da novela antecessora.

Sem pragas do Egito e milagre do Mar Vermelho

“A Terra Prometida” não terá pragas como as que atingiram o Egito e nem um evento emblemático comparável à abertura do Mar Vermelho, mas não ficará atrás em momentos nos quais o Deus dos hebreus se faz grandioso com a ajuda de efeitos gráficos feitos pela produtora Casablanca e que sejam capazes de impressionar. Alguns, inclusive, farão lembrar passagens já mostradas da primeira novela bíblica da emissora.
“A passagem mais famosa é a queda das muralhas de Jericó, que vai acontecer por volta do capítulo 60. Há outros eventos como a passagem do Rio Jordão, um milagre grandioso que lembra um pouco a abertura do Mar Vermelho. Tem também duas grandes batalhas, em uma delas Josué para o sol no meio do céu. Na outra uma chuva de pedras que cai sobre o exército inimigo. Tem ainda o gigante que vai aparecer várias vezes”, exemplifica o Renato Modesto.
A novela, que segundo Avancini será mais militar e com mais eventos de batalhas do que “Os Dez Mandamentos”, terá sua conclusão com a morte de Josué. Se haverá uma nova continuação? De acordo com Modesto, isso é algo que só a Record pode determinar. No entanto, ele entrega que a deixa já está prevista.
“No final da história tem uma passagem de uns trinta anos e ele está bem velhinho. Ele faz o discurso final aos hebreus e morre. Quem sabe [se haverá uma continuação]? Na Bíblia, a próxima parte são os juízes. O primeiro juiz de Israel está na novela. É o Otniel, feito pelo Leonardo Miggiorin. Ele se torna o primeiro juiz de Irsael, que vai estar também no final da novela. Se a Record quiser pode contar a história dos juízes a partir do Leonardo Miggiorin”, diz.

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