Passar fluido vaginal da mãe em bebê nascido de cesárea poderia preveni-lo de doenças

O contato de bebês que nascem de parto cesárea com o fluido vaginal da mãe minutos após o nascimento pode influenciar na saúde da criança pelo resto da vida.

0
863
Em um estudo inédito sobre este procedimento, pesquisadores comprovaram que os benefícios do contato dos micróbios da vagina com o bebê podem ser transferidos a ele ainda que o parto não tenha sido normal.

Sabe-se que esta transferência de fluido é muito importante para o fortalecimento do sistema imunológico da criança. Este dado, inclusive, é usado como argumento a favor do parto natural, situação em que o contato ocorre inevitavelmente.

A pesquisa foi realizada com 18 bebês nascidos no hospital da Universidade de Porto Rico, em San Juan, e publicada na revista científica Nature Medicine.

Bactérias da vagina: benefícios à criança

Segundo os pesquisadores, o resultado muda o quadro comum associado a bebês nascidos de cesárea.

Estudos apontam que eles têm alto risco de desenvolver problemas de imunidade e metabolismo justamente por não entrarem em contato com “bactérias amigas” presentes na vagina da mulher. Daí se baseia a teoria dos cientistas de que o “batismo” com o fluido vaginal é positivo para o bebê.

“A primeira exposição de um bebê a micróbios pode educar o sistema imunológico cedo para diferenciar o amigo do inimigo”, explicou uma das médicas autoras da pesquisa e professora-membro da associação de Medicina da Universidade de Nova York, Maria Gloria Dominguez-Bello, em entrevista ao jornal The New York Times.

Teste: “esfregar” os bebês em fluidos vaginais

Os pesquisadores deram o nome a este procedimento de transferência microbiana vaginal. Para realizar os testes, os bebês participantes foram divididos em grupos.

Dos 18, 7 bebês nasceram de parto normal, ou seja, tiveram contato com o “ambiente” da vagina das mães. Os outros 11 que nasceram por cesariana foram separados: em 4 deles, foram passados micróbios vaginais da mãe, e, nos outros 7, não.

A primeira etapa do teste foi coletar os micróbios da vagina da mãe. Para isso, os médicos responsáveis pela publicação introduziram uma gaze esterilizada na vagina uma hora antes do parto.

Depois, esta gaze foi reservada em um coletor estéril, para não ser impactada por germes provenientes do ambiente ou de qualquer outro recurso que houvesse na sala de cirurgia.

Dois ou três minutos após o bebê nascer, então, os pesquisadores passaram a gaze úmida em praticamente todo o corpo do bebê: lábios, rosto, tórax, braços, pernas, costas, órgãos genitais e região anal. Este processo durou aproximadamente 15 segundos.

A ilustração a seguir, criada pela revista Nature Medicine (disponível somente para assinantes e reproduzida pelo jornal The New York Times), explica que tipos de bactérias são passados ao recém-nascido no parto normal, na cesárea e através do procedimento de transferência microbiana:

Na figura (a), a transferência dos fluidos vaginais ocorre normalmente, em um parto normal. As figuras (b) e (c) mostram como é feita a transferência de bactérias ao bebê pelo processo do estudo

Vantagem: contato com lactobacilos

O principal benefício destacado pelos médicos responsáveis aos bebês “batizados” seria o contato com os lactobacilos, uma bactéria do bem e naturalmente presente no órgão genital da mulher, que ajuda na digestão do leite, por exemplo.

Apesar de destacarem que a avaliação dos resultados deste procedimento na vida da criança só poderá ser feita com acompanhamento do desenvolvimento dos participantes (eles serão seguidos por um ano), os pesquisadores chegaram a uma conclusão inicial: quando os bebês completaram uma semana de vida, aqueles que receberam os fluidos vaginais na pele possuíam colônias bacterianas parecidas com as dos bebês de parto normal.

A prática ainda não é recomendada ao público pelos profissionais da associação de Medicina da Universidade de Nova York.

DEIXE UMA RESPOSTA