Os prejuízos por trás da ocupação das escolas estaduais

Escolas ocupadas inviabilizam oportunidades para o futuro e geram atrasos na vida de ex-alunos, professores e servidores das unidades

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Diretores das escolas da rede estadual de ensino que, no momento, têm nos espaços que dirigem, movimentos de apoio à greve dos professores e estão preocupados com os prejuízos que a ocupação vem provocando na vida de alunos, professores, pais e responsáveis.

ocupação-escolas1-720x320Com sete unidades estaduais ocupadas por pequenos grupos de alunos e pessoas estranhas à comunidade escolar, eles contaram como é praticamente impossível minimizar os estragos causados aos mais de 9 mil alunos que, sem aula, estão com seus direitos de estudar suspensos por decisão de uma minoria.

– Estamos atendendo ligações de pais preocupados com o ano letivo de seus filhos. Eles não entendem onde está o direito de quem quer estudar. Dizem que é inadmissível que um pequeno grupo impeça a atividade de professores que querem dar aula. Sabemos que os conteúdos serão repostos, mas existe um tempo que será perdido como, por exemplo, para os alunos que querem ingressar em algumas instituições que anteciparam seus concursos este ano. – conta o diretor Marcos Madeira, do C.E. Prefeito Mendes de Moraes.

Alunos que estão no último ano, e que vão prestar o Enem nos próximos meses, também estão entre as preocupações dos diretores.

– Nossa escola é um polo do Pré-vestibular Social,  programa que oferece um curso preparatório para as provas de acesso às universidades em parceria com a SECTI e a Cecierj.  É um período que exige muito esforço dos estudantes da 3ª série e eles estão sendo impedidos de ter esse apoio e isso não é justo.  Os prejuízos são incontáveis. – explica Elomar Santos Moura, do C.E. Gomes Freire de Andrade.

Mas não são só os alunos que vêm perdendo com a ocupação. Muitas atividades da escola estão suspensas por conta do impedimento de entrada e acesso a documentos. Ex-alunos, professores e servidores ligados a essas unidades também são prejudicados. A impossibilidade de emissão de documentos – histórico escolar, certificados, declarações – é um dos sérios problemas que têm gerado dificuldades para quem precisa provar escolaridade para cursar a faculdade, para conseguir um emprego, ou provar a proficiência e ingressar em alguma outra instituição de ensino.

– Uma escola não pode ficar fechada. Muitos não entendem que o colégio é um espaço que tem em seu acervo a história de vida de toda uma comunidade e que precisa estar aberto para atendê-la. Não estamos conseguindo acesso à documentação de alunos, o que é muito grave. A escola emite documentos necessários até mesmo para obtenção ou manutenção de Bolsa Família – esclarece Marcos.

Eles destacaram também que esses alunos ignoram que a ocupação prejudica, em diversos aspectos, os próprios professores.

– Com as atividades administrativas da unidade escolar suspensas, não temos como emitir documentos importantes para a vida funcional desses servidores. São concessões de licenças que ficam paradas e aposentadorias que precisam aguardar mais tempo para serem concedidas, só para citar dois exemplos.  A folha de pagamento desses servidores também fica prejudicada quando os mapas de Controle de Frequência não são preenchidos e não geram a folha de pagamento dos professores dessas unidades. – ressalta o gestor.

Todos concordam que as perdas são irreparáveis, como no caso de um aluno que perdeu o estágio.

– Fomos procurados por uma mãe que precisava de uma declaração de escolaridade. Estamos impedidos de entrar no colégio, mas como era aluno matriculado, consegui os dados e emiti o certificado em casa e entreguei a ela na praça próxima do colégio. Apesar do esforço, o aluno perdeu o prazo para a entrega do documento e também a vaga de estágio no programa Jovem Aprendiz. Isso não pode acontecer. Não podemos admitir que tirem as oportunidades das mãos dos nosso jovens. – destaca a diretora Elomar.

Ela lembra ainda que toda a parte financeira da escola está parada.

– Temos contas para pagar a terceiros e nossos cartões estão presos, já que o grupo não autoriza a entrada de diretores.

Os diretores – e toda a comunidade escolar que vem se manifestando contra a falta de aulas –  esperam que os entendimentos para o retorno à normalidade nessas unidades  aconteçam rapidamente. Será um reinício que vai exigir mais trabalho, mais dedicação, mais apoio aos estudantes que ficaram sem estudar todo esse tempo. Será a hora de receber os professores que esperam pela volta ao trabalho e os alunos que precisam recuperar rapidamente o tempo perdido.

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