Morador de Caxias representa a Baixada na Batalha de Grafiteiros do Rock in Rio

837

Logo na entrada de Saracuruna, em Caxias, na Baixada Fluminense, as paredes coloridas, cheias de desenhos, não deixam dúvidas: naquele bairro mora um grafiteiro. Com algumas latas de spray, Márcio Bunys transforma espaços vazios em arte. E é exatamente isso o que ele fará este sábado, a partir das 16h, na Batalha de Grafiteiros, no Rock in Rio.

— Fiquei feliz quando fui chamado para participar, até por ser o único da Baixada. É importante mostrar que aqui na região também se faz arte, cultura — ressalta ele.

Animado, o artista de 31 anos acredita que este será um dos maiores desafios da carreira: o público poderá ver as telas ganhando formas e cores, e votar em qual mais gostou.

— Espero passar para a próxima fase e, quem sabe, até ganhar — diz Bunys, confessando que rock não está entre seus estilos musicais preferidos: — Meu mundo é rap e hip hop, mas música é sempre contagiante e inspiradora na hora de desenhar.

Bunys participa da Batalha de Grafiteiros, no Rock in Rio, este sábado, a partir das 16h: “Fiquei feliz quando fui chamado para participar, até por ser o único da Baixada. É importante mostrar que aqui na região também se faz arte, cultura”, conta ele
Bunys participa da Batalha de Grafiteiros, no Rock in Rio, este sábado, a partir das 16h: “Fiquei feliz quando fui chamado para participar, até por ser o único da Baixada. É importante mostrar que aqui na região também se faz arte, cultura”, conta ele Foto: Mazé Mixo / Extra

A Batalha de Grafiteiros terá como tema os 30 anos do festival. Por isso, o artista já tem uma ideia do que fazer:

— Eu não costumo idealizar o que vou grafitar, faço o que vier na cabeça. Mas, como tem esse tema específico, estou pensando em fazer algo com uma guitarra, que é um símbolo forte do Rock in Rio.

Com brilho nos olhos, o caxiense conta como o grafite transformou sua vida, abrindo caminho para uma carreira cheia de cores.

— Sempre gostei de desenhar. Quando era criança, ficava fazendo cópias e meus pais me incentivavam muito. Com uns 16 anos, comecei a pichar, mas logo passei para o grafite — lembra Bunys: — Vivo disso, meu sustento vem da arte. Mesmo que não fosse assim, não abandonaria a pintura. Respiro o grafite.

No bairro onde nasceu e mora até hoje, as paredes que ainda estão limpas são um prato cheio para o artista.

— Peço autorização aos moradores para grafitar. Se deixam, vou em casa rapidinho e pego o material — conta, enquanto acena para um conhecido: — Por ter sido criado aqui, conheço muita gente. É difícil alguém não autorizar. E assim vou colorindo Saracuruna…

O grafiteiro gosta de fazer painéis pelos muros de Saracuruna
O grafiteiro gosta de fazer painéis pelos muros de Saracuruna Foto: Mazé Mixo / Extra

Palestras despertam o amor pela arte

Ao lado de dois artistas, Bunys tem um estúdio em Copacabana, o Espaço Rabisco. Mas faz questão de não deixar suas raízes de lado:

— Participo de um coletivo de grafiteiros da Baixada chamado Posse 471 e sou um dos organizadores do Meeting of Favela (MoF). É um evento de grafite voluntário, sem patrocínio. Qualquer pessoa pode chegar e mostrar sua arte. Acontece sempre no fim de novembro, na Vila Operária, em Caxias. Já vamos para a décima edição.

Além disso, Bunys participa, eventualmente, de outros eventos pela Baixada e dá palestras em escolas públicas da região:

— Gosto de passar as minhas experiências e mostrar para as crianças e os adolescentes que eles podem ser artistas, podem viver disso. Alguns já estão seguindo por esse caminho.

Fonte:  Jornal Extra

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.