Funcionários de UPA em Comendador Soares protestam por fechamento da unidade

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Funcionários da UPA de comendador Soares, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, realizaram um protesto diante da unidade na manhã desta sexta-feira (13).

Eles contam que foram chamados para uma reunião no fim da tarde desta quinta (12), na qual foram informados de que todos seriam demitidos e que a unidade seria fechada.

Os funcionários contam que estão sem receber salário desde novembro e não receberam o 13° salário. Eles dizem ainda que não receberam a previsão de recebimento dos valores atrasados.

Segundo eles, a unidade não tem remédios e materiais básicos para o atendimento. Os pacientes que chegam ao local encontram os portões fechados com cadeado. Além disso, desde novembro, materiais básicos já estavam faltando para o atendimento e, por isso, apenas os casos mais graves eram cuidados.

Os cidadãos acabam procurando atendimento em outros municípios da região, como Queimados e Nilópolis. A Prefeitura de Nova Iguaçu reconhece que os salários estão atrasados e que há uma dificuldade na compra de insumos. Eles afirmaram que estão fazendo uma compra emergencial e negam que o lugar esteja fechado.

De acordo com Anderson Carlos Constantino, diretor administrativo da unidade, a unidade costumava receber 900 pacientes por dia quando operava normalmente. A partir de novembro do ano passado, com atrasos no pagamento de salários e falta de insumos, a UPA passou a atender somente os casos mais graves. Quando foram comunicados do fechamento da unidade, os dois pacientes que ainda estavam internados no local foram transferidos para o Hospital da Posse.

“Recebemos ontem no fim da tarde uma determinação de que todos os funcionários estavam demitidos e que fossem aguardar em casa”, contou Anderson.

Contas atrasadas

Os funcionários lamentam a falta de condições e contam que vivem uma situação difícil.

“Tem muito funcionário com luz cortada, que foi mandado embora e não sabe nem para onde ir. Fomos mandados embora”, contou Grace de Andrade, que trabalhava na administração do local.

Separado e com três filhos, o maqueiro Rogério Leocadio revela que foi obrigado a deixar dois de seus filhos com a mãe deles, porque não tinha condições de sustentá-los. “Minha dispensa está vazia. Não tem nada lá em casa”, conta ele.

O segurança Luis Cláudio Chagas revela que as dívidas podem transformá-lo em um sem teto. “A casa que eu moro é alugada. O dono pediu a casa e eu estou sem lugar para ir”, revelou o funcionário.

Outro segurança resume o drama pelo qual os funcionários vivem. “A situação está se arrastando há um bom tempo. O tempo foi passando e situação foi sendo postergada. Estamos vivendo o caos”, destacou Guaraciaba Silva de Moura.

A recepcionista Tatiane de Mello Almeida conta que a educação de sua filha pode ficar comprometida. “Estou com o colégio dela atrasado desde dezembro. Não fiz matrícula e não sei o que fazer”, revelou Tatiane de Mello Almeida.

O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro realizou uma vistoria na UPA esta semana. O quadro de problemas relatados pelos funcionários é atestado pelo Cremerj.

“Verificamos que a UPA, Que tinha 15 mil atendimentos por mês em setembro, estava fechada agora. Tinha só um clínico pediatra e desde outubro ela não está recebendo nenhum medicamento. O estoque estava completamente zerado e não tinha como atender. Só em casos extremamente grave, mas ainda assim sem como atender”, explicou Nelson Nahoum, vice-presidente do Cremerj.

O representante do Cremerj contou ainda que o mesmo quadro foi verificado em várias outras unidades da região. A consequência do problema seria uma sobrecarga no Hospital da Posse.

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