Baixada terá mais 400 PMs após série de assassinatos de políticos

Secretaria de Segurança confirmou que batalhões receberão reforço. PMs devem ficar na região até o fim do ano.

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Nos últimos nove meses, 11 pré-candidatos às eleições de 2016 foram assassinatos na Baixada Fluminense e a Delegacia de Homicídios (DHBF) investiga a motivação política dos crimes.

Enquanto cresce a incidência de homicídios, a Secretaria de Estado de Segurança decidiu reforçar os batalhões da Polícia Militar da região com mais 400 homens, que serão remunerados por meio de Regime Adicional de Serviço (RAS).

A informação foi adiantada nesta quarta-feira (13) pelo jornal “O Dia” e confirmada por esta reportahem. De acordo com informações publicadas também nesta quarta no Twitter da secretaria, o pedido de reforço para a região foi feito pelo secretário José Mariano Beltrame e aceito pelo governador do RJ, Francisco Dornelles.

A pasta informou que são cinco os batalhões a receberem o reforço de militares: Mesquita, Duque de Caxias, São João de Meriti, Queimados e Belford Roxo.

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Aga planejava concorrer pelo DEM a uma vaga na Câmara Municipal de Magé

Também nesta semana, a Procuradoria Eleitoral do Rio pediu à Procuradoria Geral da República que as Forças Armadas permanecessem no estado mesmo após a Olimpíada, para garantir a segurança durante as eleições.

Nesta quarta, Aga Lopes, presidente de uma associação de moradores e pré-candidata à vereadora pelo DEM foi assassinada enquanto bebia com o marido num bar em Magé, em local conhecido como Barbuda. A polícia do Rio suspeita de execução.

Os primeiros crimes ocorreram em novembro do ano passado, quando foram assassinados o vereador Darlei Gonçalves Braga, do PTB, em Paracambi, e o pré-candidato Luciano Nascimento Batista, em Seropédica.

Em dezembro, outros dois pré-candidatos foram mortos. Nelson Gomes de Souza, do PSC, foi morto em São João de Meriti, e o ex-vereador Marco Aurélio Lopes, DEM, foi executado em Paracambi. Em janeiro, o vereador Geraldo Gerpe foi assassinado em Magé.

Passados quatro meses, em junho, mais três políticos foram assassinados na Baixada. Em Nova Iguaçu, o pré-candidato Anderson Vieira Gomes foi morto em uma emboscada. Já Leandro da Silva Lopes foi assassinato a tiros ao sair de casa em Duque de Caixas. Também em Nova Iguaçu foi morto o PM e pré-candidato Manoel Primo Lisboa.

Em julho, a polícia já registrou outros três assassinatos de políticos, dois em Duque de Caxias. O primeiro crime ocorreu no dia 2. A vítima, Berem do Pilar, foi metralhada na porta de casa. Já na noite desta quarta-feira (6) a vítima foi Denivaldo Silva, executado no estacionamento de um shoppping.

Crime político
A polícia envereda neste mundo, mundo da política, para tentar entender quais eram as conexões de cada vítima, qual o partido pertencia, se era situação, se era oposição. Tentar entender este universo muito particular da política pré-eleitoral e, a partir daí, saber de onde surge a motivação criminosa”, disse o delegado Giniton Lages, titular da DHBF.

Segundo o delegado, a participação de policiais nestes crimes não está descartada.

Há algumas coincidências. Todos eles registram o emprego de armas de grosso calibre .40 e em pelo menos dois casos a presença do fuzil 556. Armas de uso exclusivo das forças de segurança. A gente pode perceber pelas imagens que há uma certa perícia no emprego da arma de fogo“, destacou Giniton.

MPF demonstra preocupação com eleições
Esses crimes reforçam a preocupação do Ministério Público Federal no Rio em relação à segurança nas eleições municipais. O setor de inteligência da procuradoria já identificou a atuação de milicianos junto a pré-candidatos na Baixada Fluminense e também na Zona Oeste do Rio.

Nós temos informações da inteligência desse sentido, de que há um movimento nesse sentido, determinados candidatos que serão apoiados, receberão a simpatia, vamos dizer assim, da milícia, e certamente irão contrapor a outros candidatos, o que é inadmissível“, disse o procurador Sidney Madruga.

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