Assassinatos na Baixada Fluminense fazem pré-candidato desistir de disputar eleição

0
198
Os recentes assassinatos de pré-candidatos na Baixada Fluminense — foram 11 casos em nove meses — acenderam um alerta entre os partidos. A última vítima foi a pré-candidata a vereadora de Magé Aga Lopes Pinheiro, de 49 anos.

Otávio Leite, que comanda o PSDB no Rio, disse que um pré-candidato a prefeito daquela cidade, filiado à legenda, desistiu de concorrer nas próximas eleições justamente por causa da violência:

— Ele veio para o partido para ser candidato em Magé, mas desistiu porque a família não aceitou diante da insegurança que representa a candidatura. Chama a atenção o nível de violência política na Baixada. Em Magé, qualquer candidato anda com segurança e alguns até com colete à prova de balas.

Leite ressaltou que os pré-candidatos do PSDB vão ser orientados a tomar mais cuidado nesse período pré-eleitoral:

— Vamos orientar nossos candidatos que tomem cautela, não abusem do horário na rua, porque, de fato, na Baixada, há muitas situações de risco.

José Bonifácio, do PDT, acredita que acordo seja uma das principais causas desses crimes
José Bonifácio, do PDT, acredita que acordo seja uma das principais causas desses crimes Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo

O presidente estadual do PDT, José Bonifácio, acredita que os acordos entre políticos e organizações criminosas sejam uma das causas para que esse tipo de crime tenha se tornado comum na região:

— Infelizmente, alguns políticos inescrupulosos acabam fazendo acordo com qualquer tipo de segmento da sociedade, como tráfico de drogas, milícia, crime organizado. Não estou dizendo que tenha sido esse o caso (referindo-se ao assassinato de Aga Lopes) , mas é uma possibilidade. Quem faz acordo com esse tipo de pessoa acaba ficando vulnerável a determinado tipo de represália.

Bonifácio disse ainda que o PDT também está orientando os seus filiados.

— No sábado, fizemos reunião onde foram convocados todos os representantes dos diretórios municipais com os lugares onde temos candidatos a prefeito e a vereador. Foi colocada claramente a necessidade de se cumprir regras eleitorais e restrições que se fazem à pré-campanha. E evidentemente os acordos. Não se pode fazer acordo espúrio.

Outros pré-candidatos que foram vítimas

No último dia 2, Sérgio da Conceição de Almeida, o Berém do Pilar, também foi morto a tiros em Duque de Caxias. Conhecido como líder comunitário do Pilar, ele era investigado por porte ilegal de arma de fogo. No dia 17 de junho, o policial militar Manoel Primo Lisboa, de 52 anos, levou um tiro na cabeça em Cabuçu, Nova Iguaçu. A mulher do subtenente, Adriele de Carvalho do Carmo, de 30, também morreu. Oito dias antes, Leandro da Silva Lopes, o Leandrinho de Xerém, de 38, estava em um bar na Praça da Pedreira quando foi atingido por vários disparos e morreu na hora, em Caxias. Ele tinha duas passagens pela polícia por suspeita de homicídio e por porte ilegal de arma. O primeiro caso desta sequência foi o assassinato de Anderson Vieira Gomes, de 38 anos, mais conhecido como Anderson Soró. Ele foi morto a tiros na frente do colégio particular em que era diretor, no bairro Corumbá, em Nova Iguaçu. A DHBF investiga todos os casos.


Extra

 

DEIXE UMA RESPOSTA